
INTRODUCCION
A experiência e a reflexão sobre a construção de significado, é um dos desafios atuais que nos convocam, à necessidade de nos posicionarmos e comunicar este posicionamento, em frente da invasão colonial dos territórios de Abya Yala (América) e de Pindorama Brasil em particular. A hermenêutica dialógica numa relação ética entre aqueles de nós que estamos dispostas e prontos a rever e descolonizar preconceitos, que impedem a construção de novos significados, que contribuem para manter e defender a vida no planeta, e nos nossos, respectivos territórios. É a voz da mãe e irmã natureza a que ressoa, e essa voz a que não foi ouvida por isso no centro de reflexão dos conteúdos desenvolvidos hoje, estão relacionados à ação política em defesa da vida, defesa dos territórios e dos corpos, dos povos na Abya Yala.
O MONÓLOGO COLONIZADOR
O que a Mae Terra o planeta terra e a humanidade irão enfrentar a partir de 1492, com a invasão colonial dos territórios e corpos na nossa Abya Yala, é o culminar de um tipo de pensamento que na Europa estava a lutar para se tornar num paradigma histórico: a mente colonizadora. Essa mente colonizadora, que não prejudica apenas os nossos povos e territórios, também afetou as outras formas de pensamento e conhecimento que na própria Europa estavam a lutar pelo reconhecimento, e que não necessariamente participavam de uma mentalidade, de domínio da mãe natureza, como refere Federeci S. 2010 em “El Caliban y la bruja”.
O triunfo da mente colonizadora, estabelece o que nós vamos chamar, o monólogo colonizador, monologo que depois é imposto nas relações conosco, e tornar-se-á o discurso dominante, que até hoje funciona reciclando palavras, atitudes e significados, para manter um sistema de dominação. Os únicos que tem permisso para falar são os colonizadores e seus filhos e netos. Onde ouvem, mas não escutam.
Monologo, que só faz sentido, para um pequeno grupo de famílias, que acumularam a riqueza produzida por toda a humanidade. É o poder de um mecanismo através do qual impõem os "significados da vida". Este monólogo, implica, sinais estáticos de uma língua morta, que como diz Bakthin (Fiorin. 2018 p. 23) a letra é letra morta em sinais se não mantém o movimento da língua que é a comunicação viva.
No monólogo colonizador, os estilos são controlados e as ideias são censuradas, a linguagem escrita do alfabeto é considerada -neste monólogo- como prova do conhecimento civilizador, da cultura e do conhecimento científico que é comunicado, e também é escrito, de acordo com as normas da academia da língua. É um reducionismo da tarefa comunicativa da língua, e das suas unidades, a declarações que são carregadas, com significados histórico-políticos que tem interesses de dominação colonialista e imperialista.
A NOSSA EXPERIÊNCIA DO "OUTRO" APÓS A COLONIZAÇÃO
A invasão colonial rompe o caminho das nossas existências em Abya Yala, mas isso não significa que a nossa existência anterior seja apagada totalmente, e que os nossos povos comecem do zero, o zero da invasão colonial. Não! É nisso que os colonizadores, do eurocentrismo, querem acreditar. Os nossos povos começam a existir e são referidos na memória a partir dos nossos mitos de origem, com nossa própria tradição e história. Com sentidos de realidade que correspondem ao tempo histórico dos nossos territórios. Os nossos povos não começam a existir, quando os colonizadores nos colocam, no seu tempo (12 de outubro de 1492). Estes signos (12 de outubro de 1492) não tinham significado e nenhum sentido para nós, mas, vão impor-se à nossa própria concepção e sentido de tempo e espaço, mediante a violência e o genocídio.
A nossa experiência do colonizador, é que ele nega -pela sua ignorância- a nossa existência. Algo assim, que como sem eles: nós e a nossa mãe natureza, somos nada. Que sem a invasão colonial nossas existências, não teria e não fariam sentido. Essa é uma maneira muito engraçada de pensar, parecem crianças que cobrem os olhos para acreditar que a realidade desapareceu.
Já antigamente os nossos povos vêm de ter criado sentidos sobre o nosso mundo. Sabíamos, quem é a mãe natureza, que é a humanidade, que é a vida, que é o tempo e assim por diante. Tínhamos elaborado o nosso próprio posicionamento ontológico no mundo. Tanto na cultura aymara e na maioria das nossas culturas de povos originários, que conhecemos, somos povos com uma ontologia tripla, que podemos dizer; há três que são quatro, e que constituem a unidade da vida; Mãe Natureza, (Homens, Mulheres) e a ancestralidade das nossas linhagens, estão sempre presentes.
A contemporaneidade descolonizada, para o feminismo Comunitário, (Paredes J. 2020) não é o tempo que passa, com base na Europa e que engole todos os tempos existentes em Abya Yala e os anula. A figura 1 ilustra este conceito, onde a colonização anula nosso tempo existente reduzindo-os à limitada compreensão europeia, onde os significados e sentidos criados originariamente, pelos nossos povos não cabem. São culturas, história, língua, conhecimentos, todas as práticas e experiências, que criaram significados em cada território e que estavam longe da compreensão dos colonizadores. Mas não é esse o problema maior, o problema maior é que a mente colonizadora, se impõe como norma e paradigma e que nos colocará no passado da barbárie europeia, e com a egocêntrica tarefa, de nos civilizar.

Fig. 1: Paredes J.
A contemporaneidade descolonizada é uma contemporaneidade de tempos paralelos, é a recuperação de Abya Yala, no espaço e no tempo, a fim de existir no mundo e no planeta Terra.
São existências paralelas, na contemporaneidade descolonizada que propomos, tornam-se os existentes afirmativamente em existentes, que tomam nas suas próprias mãos, a necessidade de se posicionarem perante o mundo recebido. Este mundo recebido que precisamos de transformar, e redirecionar esse caminho para a morte e destruição, para o qual os grupos dominantes nos estão levando hoje. O paralelismo e a contemporaneidade dos tempos, figura 2, é o caminho redirecionado que propomos, na recuperação de nosso tempo no continente de Abya Yala. É ouvir o as vocês do território, da Mae natureza de nossa ancestralidade.

Fig. 2: Paredes J.
Precisamos numa reflexão crítica, sobre o euro centrismo, o individualismo racionalista e o antropocentrismo, que é estabelecido desde a colonização, e tem uma consolidação hegemónica desde o século XIX com os estados nação.
Precisamos nomear este outro, a partir da experiência histórica dos nossos povos e dos nossos antepassados e a experiência própria até hoje, esse outro, que sendo humano, tornou-se em o colonizador. Porque a colonização acontece ainda hoje, é a experiência e as consequências que vivemos hoje, em nossos corpos; como homens e mulheres indígenas, em nossos territórios. Vemos as consequências para a nossa mãe e irmã natureza, no território de Abya Yala. Esse outro - o colonizador - é estabelecido na nossa realidade a partir de 1492, invadindo, com uma mente colonizadora, depredadora e repetindo como doutrina, o seu monólogo colonizador.
Massacraron mais de 70 milhões de homens e mulheres indígenas (Grondim M. e Viezzer M 2018) traficaram seres humanos do África e os escravizaram, acreditam que a mãe terra e irmã natureza é propriedade privada de eles. Mataram e continuam matando em genocídio a nossos povos originários, para nos calarem e não nos ouvirem e hoje nosso planeta, a mãe terra corre o perigo de ferimentos graves e a humanidade, nossas crianças, podem desaparecer.
A invasão colonial é um acontecimento que aconteceu, é histórico e tem consequências na vida de todos nós, hoje em dia. Aqueles de nós que vivemos nestes territórios de Abya Yala são, somos condicionados por estes efeitos e consequências, nas nossas relações com o mundo e com a Mãe Natureza. Portanto, ter uma posição em relação à invasão colonial é uma base clara e necessária para estabelecer uma relação ética de diálogo. Sabemos que existem múltiplas posições, as posições não são apenas bipolares, pretas ou brancas, direitas ou esquerdas. Não tomar uma posição, é também uma posição, tão claramente quanto isso. A todos esses posicionamentos, é que nós consideramos uma parte, do processo de descolonização.
DIÁLOGO - CAMINHOS QUE SE ABREM
Na literatura dialógica, é interessante ver o desenvolvimento de concepções de diálogo, chamado por Marcová como diálogo existencial. O diálogo foi visto também pelos gregos, que pensavam -nos diálogos socráticos- que era através do diálogo, que a ética e a racionalidade eram desenvolvidas.
No diálogo existencial que Marcová propõe, a própria existência é considerada dialógica, a proposito desde nossas culturas originarias, podemos dizer que, na origem da nossa existência som quatro existências, em diálogo existente; mulheres, homens, mãe-irmã natureza, as/os ancestrais, em um diálogo de ida e volta. Existimos ao mesmo tempo entre quatro indispensáveis.
Esta posição estaria associada à fenomenologia e à hermenêutica (Hermes faz o caminho entre os mortos e os vivos, com a comunicação da mensagem). Poderíamos compreendê-lo da mesma forma; como diálogo existencial, dos nossos povos com a ancestralidade, precisamos de ouvir as vozes, compreender, decifrar e interpretar as mensagens recebidas num silêncio dialógico ético e reflexivo, a fim de chegar a uma interpretação atual.
Hermenêutica dialógica porque não existe método ou técnica adequada, é necessário dialogar para compreender e saber, a atitude, a disposição, aquilo a que Marcova chamaria "a mente dialógica". Esta predisposição, com a qual a ação dialógica é levada a cabo, é o mais importante (Marcova I. 2017, p. 23).
O DIALOGISMO COMO MEIO
Das minhas dúvidas iniciais, ao longo do caminho ampliei a minha compreensão e posso dizer que o diálogo não está necessariamente circunscrito a dois, pode também ser entendido como um meio através do qual nos expressamos, nos enunciamos e ouvimos os enunciados dos outros. A mente dialógica é principalmente uma mente ética que marca a interação "Eu Outros/outras", ética que vem da construção social do senso comum e que, para ser dialógica, deve integrar cada vez mais interlocutores.
No dialogismo através do qual comunicamos, a linguagem é muito importante, compreender a linguagem não como se fosse sinais isolados. A forma como a linguagem e a ação humana são pensadas não é um processo de elaboração racional, mas sim uma construção de sentidos histórico, ou seja, é confrontada com os poderes evidentes, os poderes sentidos ou intuídos pelos corpos. Por esta razão, entendemos o diálogo como um meio que nos permite, por exemplo, denunciar a violência da colonização e a propriedade privada da mãe terra e irmã natureza, denunciar o genocídio dos nossos povos originários de Abya Yala. Na esperança de que os outros nos compreendam, possam ouvir, e que estejam interessados em saber.
Markova descobre que Vigostki e Bakthin abordam a linguagem em diálogo, e não como um sistema de sinais. É importante a conversa e a compreensão dos outros/outras, não é apena transmissão, pelo que a ação fenomenologica da linguagem, definirá o sentido da expressão no diálogo (Marcova I. 2017, p. 23).
A mente dialógica confronta a mente colonizadora dos outros e também a nossa própria mente, enquanto povos, que precisamos de ser confrontados com as nossas opressões e responsabilidades próprias. Confrontar as nossas vidas, existências e relações com a tarefa de descolonização é uma ação dialógica indispensável e, sendo dialógica, é ética.
ÉTICA
A ética está implícita na hermenêutica, está no método e na metodologia da hermenêutica dialógica. Mais também a ética, décimos nós, é intrínseca ao carácter ontológico da alteridade descolonizada. As questões da alteridade não podem ser faladas separadamente da ética, porque são intrínsecas ao dialogismo. Como Guimarães e Simão (2018) do Construtivismo Semiótico Cultural CSC, dizem que a ética, é o modo de perceber o outro, é um modo, que está dentro do sujeito dialógico e é interior, é subjetivo. Este modo vem da apertura ao conhecimento do outro/outra, também da vida espiritual e ética dos outros/as. Afasta-se do juízo moral dos outros/as, e vai no sentido comum entre, EU e um OUTRO e OUTRA, que supõe UMA COMUNALIDADE. São formas de ser que se constroem.
A forma de perceber e compreender o outro/a, tem a ver com as condições para ouvir o outro/a. O que, vamos ou não o vamos ouvir, numa compreensão, que não é apenas racional, é também emocional, afetiva e de sentimentos. Tem a dimensão afetiva do prazer de ouvir o outro/a, predisposição hermenêutica, para ouvir o outro, cujas consequências, não serão necessariamente de fazer síntese. A ética na hermenêutica dialógica, é procurar-se mutuamente e querer estar juntos e juntas. Ou seja, ético é tudo isto.
Neste diálogo, não deveria haver necessariamente, uma mudança de posição, mas uma exigência de refletir e aprofundar sobre a minha própria posição, para que -se eu desejar- possa mudar, minha posição. Manter um diálogo com tensões, não implica uma exigência irrefletida de uma mudança de posição, isso seria artificial e superficial. Mas tampouco refugiar-se, no ecletismo, ou cair no dogmatismo. A questão ética não é pacificadora (Simão L.) mas sim nos confronta e nos questiona, com não saber ouvir argumentos. Ouvir argumentos dos e das outras é a apertura a dialogicidade existencial. Ninguém sabe todo.
DESDE O SILENCIAMENTO ATÉ À POLIFONIA DAS VOZES
Os conceitos de sujeito e do objeto, na construção do conhecimento têm significados diferentes. No dialogismo, o conhecimento é construído entre sujeitos capazes de trocar opiniões, opondo-se e complementando-se mutuamente.
No mecanicismo e no funcionalismo estritos, há uma clara distinção entre sujeito e objeto do conhecimento, o objeto do conhecimento é passivo, portanto, não responde, contesta ou concorda com o sujeito; pelo contrário, deve ser por ele, sujeito, descoberto, colocado em evidência como objeto científico. Guimarães.D & Simão L. (2018 p,53)
A construção do conhecimento tem sido um espaço de disputa de poder, o conhecimento tem sido controlado e manipulado pelas elites, tem servido para criar imaginários sociais de controlo colonizador. A imposição de um conceito mítico de conhecimento para silenciar e dominar o mundo.
O corpo de conhecimentos: homens.
A cor do conhecimento: branco.
Os territórios do conhecimento: a Europa Ocidental e EEUU
O lugar de cultivo do conhecimento: a academia, os intelectuais.
Tudo fora destes parâmetros caprichosos, tem que lutar historicamente para ser reconhecido, como conhecimento e como sujeitos e sujeitas de conhecimento.
Nos também queremos falar e ser ouvidas e ouvidos. Queremos que todo mundo possamos ouvir os gritos, os conselhos e o amor da mãe terra e irmã natureza. Estamos 530 anhos ouvindo o monologo dos opressores, os nossos antepassados defenderam-se, falaram, lutaram, resistiram, procuraram, elaboraram e propuseram alternativas para viver juntas e juntos sem se matarem uns aos outros em Abya Yala. Mas os colonizadores racistas foram, e são hábeis, no uso de engano, traição, manipulação, e as mentiras funcionaram. A mente colonizadora e o monólogo colonizador impuseram-se na busca da partilha e do diálogo.
Compreender a necessidade de sobreviver, resistir e viver propondo um mundo onde sejamos respeitados/as na plenitude das nossas existências e não como uma decoração das existências dominantes euro-ocidentais, é o caminho, é o mandato que recebemos dos nossos antepassados. Neste caminho encontramos relações de poder que condicionam e obstaculizam a construção do conhecimento descolonizado. Construir conhecimento que permita ouvir as vozes da mãe terra, dos povos originários, dos povos pretos, das e dos empobrecidos pôr os capitalismos. As necessidades dos grupos dominantes, hoje impõem o reducionismo da razão, no uso da inteligência humana. É o racionalismo e o pragmatismo burguês, individualista e racista que se impõem e dominam. O conhecimento dominante a fim de legitimar os seus processos, métodos, instrumentos e verificações, que tentam convencer-nos, de que existe neutralidade política na palavra e prática da democracia.
É o tempo de revisar essas praticas e mudar, sair do antropocentrismo e saber-nos filhas e filhos da mãe natureza, mais se não fosse possível essa compreensão, no mínimo tratar de compreender a mãe natureza em seus ciclos naturais, recuperar a naturalidade da vida no planeta, e tempo de ouvir os gritos da mãe natureza.
CONCLUSIONES
Trata-se de contribuir para reparar e sanar o mundo e o planeta, para cuidar da vida, é por isso que todos os esforços que nos conduzem a este objetivo valem a pena. A polifonia das vozes é uma boa metáfora para os novos sentidos, que darão sentido à existência humana e assim construir os caminhos da nossa própria libertação.
Já estabelecemos que os tempos não são os mesmos entre Europa e Abya Yala. Que um é o tempo da Europa e outro o tempo dos nossos territórios e dos nossos povos, e que coexistimos em paralelo, este paralelismo dos tempos, é a contemporaneidade descolonizada que abre o caminho, para nós poder compreender em uma atitude dialógica, que instaura o diálogo existencial, para poder ser entendidos em um tempo e o espaço da polifonia das vozes. Afirmações, falas de experiências e sentidos que constroem e que se manifestam a partir de diferentes territórios, formando a polifonia dos sentidos da humanidade, esta prática da polifonia, prepara os ouvidos prontos para a ouvir a mãe e irmã natureza.
REFERÊNCIAS
FIORIN J.L. (2018). Introduccion al pensamiento de Bakhtin. Sao Paulo. Editora contexto
FEDERECI, S. (2010). El Calibán y la Bruja. Traducción de V. Hendel-L. Touza. Madrid. Traficantes de Sueños.
GUIMARÃES SILVA D e LÍVIA MATHIAS SIMÃO (2018), O construtivismo semiótico-cultural em psicologia nos planos epistemológico, ontológico e ético Universidade de São Paulo, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Auxílio à pesquisa processo número 2018/13145-0
GRONDIN M. e VIEZZER M. (2018), “Maior genocídio da historia da humanidade”, Grafica & Editora, Toledo-Parana, 2018.
MARCOVA IVANA. (2017) “Mente dialogica”, Curitiba Pará, editora universitara champagna PUC Press, fondacao Carlos Chagas.
PAREDES, J. (2020). “Para descolonizar el feminismo”. La Paz, Bolivia. FECAY (FeminismoComunitario Abya Yala) 2020.
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JULIETA PAREDES CARVAJAL, mujer indígena del pueblo Aymara de Bolivia, luchadora social, creadora del feminismo comunitario. Escritora de libros sobre poesía, sexualidad, política, educación feminista y feminismo comunitario. También fue cofundadora de Mujeres Creando. Actualmente es responsable de relaciones internacionales del movimiento e organización social, Feminismo Comunitario de Abya Yala. Ha publicado varios textos sobre esta propuesta innovadora, entre ellos: «Hilando fino desde el feminismo comunitario» (2009), «El desafío de la despatriarcalización» (2016) y «Para descolonizar el feminismo» (2020). Cantautora y grafitera, que hace «de sus miedos y sus dolores una fuerza inagotable que no se rinde» J.P.C.